segunda-feira, 25 de julho de 2011

love passenger

Quando andamos distraídos há sempre aquele bandido estupido que nos ataca, que nos distrai, que nos rouba o pensamento. No fundo, até nos trás uma boa sensação: conforto, desejo, carinho. A cabeça fica direccionada para uma unica direcção, tal como o coração. E quando não há nada para fazer, o tempo é preenchido pelo pensamento. Surgem as musicas romanticas, os textos um tanto ou quanto pirosos, a expressividade no olhar. Mais tarde, os encontros, os gestos marcantes, o beijo ideal. Por fim, o desfecho da história. E quando esse bandido volta a atacar, apercebemo-nos que foi uma viagem sem movimento, uma ilusão que não deixa arrependimento, mas sim nostalgia. É amor passageiro.

sexta-feira, 25 de março de 2011

desconforto da dor

É tão fácil dizer que está tudo bem, que a chuva não me molhou, que o vento não me levou, que não senti frio, que não faltei aos meus compromissos. Que chorei, apesar de não sentir dor. Mas no fundo minto. Sinto necessidade de ocultar a dor, ela é uma lição que nunca quis aprender. Mas a dor, não é totalmente minha, ela vem da dor que sentes, e me transmites por te fazer senti-la. Gosto demasiado de ti, e mais do que gostar de ti, gosto de nós. Mas por vezes, gostar só não chega. A dor não desaparece, não torna o amargo no doce. Ela permanece, lenta, triste, feroz e teima em não passar (...)
Percorro a tua estrada na esperança que este aperto passe, mas perco-me dentro de ti; cada lágrima no teu rosto, deixa-me desconfortável; quando te escondes, eu grito para o mundo; quanto estás longe, sou estátua. Somos duas mentalidades idênticas e dois futuros cruzados.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Memories

Sinto saudades. Supostamente devia sentir saudades de algo ou alguém. Mas não. Sinto saudades de mim. Talvez de ti também, ou de nós. Sinto, em suspiros de querer matar saudade, a solidão que permanece em arrepios do vento, tão só, tão frágil e frio. Sinto uma dose de pretérito em mim, que trazia muito de ti. Mas nós não mudamos, mudam-nos. A tua ausência tão nua e tão crua fez-me esquecer todo o sangue derramado em lágrimas por ti. No fundo, a saudade é tudo o que vive em mim. A saudade completa o vazio que ficou. A saudade fez-me divagar na imensa vontade que outrona tinha de te abraçar. A saudade ficou no silêncio constrangedor em que não me disses-te o que te segredava o coração. Afinal, a saudade é apenas um rascunho do que eu era e não o medo de não voltar a dar-te de mim. Hoje descubro que não eras uma parte, mas sim uma vida que fugiu. Ainda assim, pior que perder-te como amor, é perder-te como pessoa e é tão fácil sentir saudade. Ela é curta, mas, cria uma marca tão grande.


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

your future

Tu não percebes, se calhar és pequeno demais para perceber (...) Um dia vais viver um grande amor, um dia vais rir-te porque te dizem que faz bem á alma, ou então choras, mas esqueces-te do motivo tal qual como quem se esquece das chaves de casa no café, porque és inocente como eu. Um dia vais conhecer mil e uma pessoas que te querem enganar e te dizem que o melhor motivo para sorrir é existir, mas essas frases feitas que vais ouvindo são como cirurgias plásticas, só te fazem sentir bem ao inicio, e depois ? descobres que os teus valores, os teus objectivos, intenções, enfim, aquilo que tanto lutas é fictício ? não, tu és igual a mim, e um dia alguem vai suscitar em ti um sentimento avassalador e os teus valores vão mudar, vais aprender a amar, vais enganar-te a ti próprio sorrindo não por existir, mas porque te é dada uma felicidade inconstante, ou melhor, motivos que mais tarde desaparecerão. Sabes, eu quero voltar a ser pequena como tu, invejo a tua alegria que é tão pura, porque tu não tens motivos para ser alegre, mas mesmo sem conheceres frases feitas, religiões, política, tu sabes que é tão bom existir. Afinal és grande, as pessoas é que são egoístas demais e fazem de ti um ser inútil por não conheceres os problemas do mundo. Olho para ti e oras, tu choras, tu ris, tu reages, tu és humano e fazes-me ser humana.